Professores de artes marciais na PB alertam para o risco de treinar sozinho
Segundo o professor de judô Ricardo Pessoa, o primeiro cuidado que quem quer lutar artes marciais deve ter é o de procurar uma academia registrada com professores qualificados e registrados na federação estadual do esporte. “O profissional vai saber como orientar. Ele tem consciência de que lesões o esporte pode causar e, assim, vai saber como prevenir acidentes”, explicou Ricardo, que é faixa preta de judô desde 1998.
“A arte marcial é um esporte como qualquer outro e tem que ser tratado com seriedade. Se a pessoa treinar de forma clandestina, em casa, o risco de acidente é grande e existem golpes que podem ser muito nocivos se o esporte for praticado sem responsabilidade”, disse.
Ricardo ainda enfatizou que quem quer treinar MMA (uma luta que inclui técnicas de várias modalidades) deve ter ainda mais cuidado, uma vez que é uma arte marcial com menos regras de segurança. “O professor que ensina tem que entender de fisiologia humana. A pessoa não pode ver na TV e querer praticar sem responsabilidade”, orientou o professor.
Rafael Fonseca, que é professor de MMA, concorda com Ricardo. “Não é só chegar e colocar um par de luvas. Praticar um esporte de luta demanda a orientação de um professor de educação física, faixa preta em alguma arte marcial. Com certeza eles estavam lutando errado”, alertou.
Além disso, o atleta tem que ter uma preparação física antes de começar a treinar, conforme explicou Rafael. Isso deve acontecer porque, quando alguém começa a praticar uma luta, ele não é condicionado àquilo.
“Com o meu pessoal, na minha academia, os professores fazem curso de primeiros-socorros antes de começar a dar aula. A gente nunca sabe quando pode acontecer um acidente”, declarou Rafael, que, além de faixa preta em jiu-jitsu e educador físico, é socorrista.
Entenda o caso
Segundo o delegado Fred Magalhães, responsável pelas investigações, o rapaz acompanhado de mais dois, de 14 anos, lutavam MMA quando desmaiou e foi levado para o Hospital Regional de Sapé, também na Zona da Mata do estado. De acordo com o delegado, a equipe médica ainda tentou reanimar a vítima, mas não obteve sucesso. Uma 'gravata' teria causado a morte.
O delegado explicou que caso o laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC), previsto para sair em até 15 dias, aponte o golpe como a causa da morte, os adolescentes serão autuados por "infração semelhante a homicídio culposo", quando não há intenção de matar. As investigações dão conta de que o grupo se reunia todo fim de tarde, há cerca de seis meses, para lutar.
“Contra os adolescentes que estavam brincando com a vítima, não há nenhum tipo de infração que já tenham cometido. Creio que eles não tiveram a intenção da matar o rapaz. Todos se conheciam desde a infância e eram muito amigos”, disse Magalhães, que informou ainda que a morte do adolescente foi descoberta pela polícia “por acaso”.
Parentes contaram à polícia que a vítima não tinha histórico de doenças cardíacas o similares. “Esses relatos aumentam ainda mais a possibilidade de a luta ter provocado a morte do adolescente. No entanto, é bom pontuar, só o laudo é que vai afirmar o que causou a morte dele", ressaltou.
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